Venha dançar menina
No esplendor da negaça
Cruzar nossos corpos
Entre o espaço e o tempo
No molejo da raça
Na malicia africana
No segredo de mandinga
No balanço que não para
Venha jogue sua ginga
É comida de Nizinga
Brincadeira de pirraça
É a dança da zebra
Ngolo na praça
É o pulo do gato
Bico de Gavião
Dente de cão
É a calma da garça
É o rabo de arraia
O bote da cobra
Buraco no mato
Nó na saia
Luta de Angola
É corpo de mola
É o fio da navalha
Venha rolar menina
Na minha praia
Antes que chegue a maré
No canto de Salomé
Antes que o sol saia.
Marcos Grito
quinta-feira, 28 de maio de 2009

"tempo de nascer, tempo de morrer
tempo de plantar, tempo e arrancar a planta
tempo de matar, tempo de curar
tempo de destruir, tempo de construir
tempo de chorar, tempo de rir
tempo de gemer, tepo de bailar
tempo de atirar pedras, tempo de recolher pedras
tempo de abraça, tempo de separar
tempo de buscar, tepo de perder
tempo de guardar, tempo de jogar fora
tempo de rasgar, tempo de costurar
tempo de calar, tempo de falar
tempo de amar, tempo de odiar
tempo de guerra, tempo de par"
tempo de plantar, tempo e arrancar a planta
tempo de matar, tempo de curar
tempo de destruir, tempo de construir
tempo de chorar, tempo de rir
tempo de gemer, tepo de bailar
tempo de atirar pedras, tempo de recolher pedras
tempo de abraça, tempo de separar
tempo de buscar, tepo de perder
tempo de guardar, tempo de jogar fora
tempo de rasgar, tempo de costurar
tempo de calar, tempo de falar
tempo de amar, tempo de odiar
tempo de guerra, tempo de par"
Porque todo tempo é um só, e tudo que é naturaza requer equilíbrio.
por Etna
João "Baninho"
Quem não conhece João Buracão, o boneco pop que percorre o Brasil com sua nobre missão: a de tapar buracos? Para quem acha uma grande pena ele não ter dado uma passadinha aqui por salvador, afinal, o que não falta aqui são crateras para o João protestar, não fique tão triste: quem precisa do boneco Buracão, quando temos o João Baninho? Certo que este não é tão pop quanto o Buracão, mas isso se deve por uma grande 'timidez', acredito, tanto porque já passamos quase quatro anos sem notícias dele (isso aconteceu quando o elegeram prefeito de Salvador pela primeira vez).
No entanto, nosso pseudoprefeito Baninho, tarda, mas não falha, assim, quatro meses antes da próxima eleição - na qual ele queria se reeleger - ele aparecia o tempo todo na tv e pra mostrar serviço na prefeitura, resolveu dar banhos na cidade.
Desta forma baninho - que é fissurado em limpeza - deu banho de luz, banho de asfalto... E tome le banho! Alguém tá se sentindo sujo?
No final das contas o nosso João se reelegeu e por de 'timidez', como já falei, sumiu novamente. Daí fica a dúvida: quando ele aparecerá novamente? Nosso Baninho é uma verdadeira incógnita. Mas espero ansiosamente seu próximo banho, se é q vai ter: não tem como se reeleger novamente.
No entanto, nosso pseudoprefeito Baninho, tarda, mas não falha, assim, quatro meses antes da próxima eleição - na qual ele queria se reeleger - ele aparecia o tempo todo na tv e pra mostrar serviço na prefeitura, resolveu dar banhos na cidade.
Desta forma baninho - que é fissurado em limpeza - deu banho de luz, banho de asfalto... E tome le banho! Alguém tá se sentindo sujo?
No final das contas o nosso João se reelegeu e por de 'timidez', como já falei, sumiu novamente. Daí fica a dúvida: quando ele aparecerá novamente? Nosso Baninho é uma verdadeira incógnita. Mas espero ansiosamente seu próximo banho, se é q vai ter: não tem como se reeleger novamente.
terça-feira, 26 de maio de 2009
Um dia Zumbi vai descer o morro

Meu objetivo não é tornar isso aqui um diário, mas, preciso desabafar.
Estando eu no ônibus, recebo uma seqüência de porrada, não física, mas sim verbal. Portanto não fiquei com nada quebrado, nada roxo, porém me veio uma pancada de pensamentos martelando em minha cabeça.
Tinham duas meninas, estudantes - ao menos estavam fardadas - conversando, estavam comentando sobre um menino preto, presumo que colega delas, mas não qualquer preto, e sim um 'tifum', uma delas já tinha até feito um pagodinho em homenagem ao colega: 'frango preto da macumba, frango preto da macumba' (dá para acreditar?). Mas isto só foi um tapa perto do que veio depois: a "compositora" resolveu comentar o quanto ela era bonita porque não se parecia com a maioria de seus familiares, pois, suas primas tinham cabelo 'duro igual a assolam', depois de falar isto ela "pensou" mais um pouco e se corrigiu, 'assolam não, porque ele ainda é macio'. Pronto, me senti nocauteada. Ah, vale ressaltar que eram duas meninas negras, de cabelo cacheado.
Pós isso, o que mais me doeu foi admitir que essas meninas não são exceções, que esse racismo esta enraizado, não só nesta ou naquela pessoa, mas em todos nós; é duro percebê-lo em mim. Mesmo assim, me alegra notar que eu, como muitas pessoas (muitas mesmo!), ao contrário das minhas agressoras, tentamos nos livrar deste mal que persiste em sobreviver (com outros tanto alimentando, racistas e alienados, não poderia ser diferente), com um árduo policiamento de cada atitude e pensamento.
Apesar de ouvir alienações por toda parte, é notável que a conscientização negra vem crescendo de uma forma satisfatória. Assim, acredito numa conscientização geral da negritude, tanto porque, nenhum povo foi oprimido indefinidamente.
"A guerra me parece inevitável (...)/ se a população se revoltar grite por socorro/ (...) quando o sangue bater em sua porta espero que você entenda/ e descubra que ser preto e pobre é foda./ Se uma guerra amanhã estalar/ sei de que lado eu vou estar!"
Quando esse conhecimento acontecer, quando conseguirmos nos organizar, já que a passividade não está dando certo ( e quem quer que dê?), faço minha as palavras de MV Bill, na música do parágrafo acima, "a guerra me parece inevitável". Desta maneira, quando Zumbi descer o morro, no dia da cobrança da dívida, que, com certeza, continua viva, "sei de que lado vou estar!”.
Estando eu no ônibus, recebo uma seqüência de porrada, não física, mas sim verbal. Portanto não fiquei com nada quebrado, nada roxo, porém me veio uma pancada de pensamentos martelando em minha cabeça.
Tinham duas meninas, estudantes - ao menos estavam fardadas - conversando, estavam comentando sobre um menino preto, presumo que colega delas, mas não qualquer preto, e sim um 'tifum', uma delas já tinha até feito um pagodinho em homenagem ao colega: 'frango preto da macumba, frango preto da macumba' (dá para acreditar?). Mas isto só foi um tapa perto do que veio depois: a "compositora" resolveu comentar o quanto ela era bonita porque não se parecia com a maioria de seus familiares, pois, suas primas tinham cabelo 'duro igual a assolam', depois de falar isto ela "pensou" mais um pouco e se corrigiu, 'assolam não, porque ele ainda é macio'. Pronto, me senti nocauteada. Ah, vale ressaltar que eram duas meninas negras, de cabelo cacheado.
Pós isso, o que mais me doeu foi admitir que essas meninas não são exceções, que esse racismo esta enraizado, não só nesta ou naquela pessoa, mas em todos nós; é duro percebê-lo em mim. Mesmo assim, me alegra notar que eu, como muitas pessoas (muitas mesmo!), ao contrário das minhas agressoras, tentamos nos livrar deste mal que persiste em sobreviver (com outros tanto alimentando, racistas e alienados, não poderia ser diferente), com um árduo policiamento de cada atitude e pensamento.
Apesar de ouvir alienações por toda parte, é notável que a conscientização negra vem crescendo de uma forma satisfatória. Assim, acredito numa conscientização geral da negritude, tanto porque, nenhum povo foi oprimido indefinidamente.
"A guerra me parece inevitável (...)/ se a população se revoltar grite por socorro/ (...) quando o sangue bater em sua porta espero que você entenda/ e descubra que ser preto e pobre é foda./ Se uma guerra amanhã estalar/ sei de que lado eu vou estar!"
Quando esse conhecimento acontecer, quando conseguirmos nos organizar, já que a passividade não está dando certo ( e quem quer que dê?), faço minha as palavras de MV Bill, na música do parágrafo acima, "a guerra me parece inevitável". Desta maneira, quando Zumbi descer o morro, no dia da cobrança da dívida, que, com certeza, continua viva, "sei de que lado vou estar!”.
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